Autor Henrique Rossi

Olá meus amores, tudo bem com vocês? 

Hoje teremos mais um episódio do nosso quadro entrevistando autores nacionais. Desta vez, iremos falar com o autor Henrique Rossi, escritor da obra "o vestido de Violene" livro que já resenhamos aqui no blog e vocês podem conhecer na aba de resenhas no menu acima. Esse livro foi lançado pela Editora Chiado, então vocês podem o adquirir através do catálogo virtual no site da editora ou clicando aqui para conversar diretamente com o autor em uma das suas redes sociais. Mas antes de irmos para a entrevista, vamos conhecer um pouquinho a mais sobre a biografia dele?  


Henrique de Paula Rossi, é filho de médico e advogada. Nasceu no dia 12 de março de 1995 em Cruzeiro, interior de São Paulo, no Vale do Paraíba. Teve a infância tranquila, digna de cidade pequena. Na adolescência, ingressou na faculdade de Direito, na região dos lagos, conciliando com seu trabalho de tradutor para dublagem. Apaixonado por culinária, cinema e contação de histórias, escrevia seus próprios contos. Inspirado pelas brincadeiras de infância, pelas adversidades da vida e pelos seus professores de português e literatura, aos 14 anos, deu início ao romance que, entre rascunhos e gavetas, viria a se tornar "vestido de Violene", aos 22 anos. (texto extraído da orelha do livro do autor) 

1. Qual é a inspiração para escrever o seu livro?

Sou uma pessoa que pensa em imagens e adora metáforas. Esse livro foi um projeto despretensioso que acompanhou mais ou menos dez anos da minha vida, sendo muito influenciado pelos momentos que eu passava e aquilo que eu observava. A ideia de escrever sobre um menino que sai da casa dos pais, por exemplo, se passou enquanto eu ia para a faculdade e lidava com essa despedida. "A Tábua", diferente das outras partes, foi quase totalmente baseada em um sonho que eu tive. No entanto, ao menos para mim, ter uma ideia para uma história (ou parte dela) vem da inspiração, mas redigir, encaixar e conectar esse trecho à trama vem da lógica e do racional. Cada pedaço da história teve sua inspiração própria, mas posso resumir em: peguei algo que vivi ou que pensava e "fantasiei". No grosso, a história se trata de extremos: começos e fins, partidas e chegadas, dores e superações.

2. Como você começou a escrever?
Tive sorte de ter bons professores de português e literatura na escola - os capítulos sobre produção de texto da apostila eram os que eu mais gostava e eu escrevia sempre muitas páginas. Apesar disso, detestava escrever diários. Eu percebia que expressava melhor meus sentimentos em histórias com começo, meio e fim. Um dia, perguntei à minha professora: "Você acha que existe espaço para novas criaturas mágicas? Tipo, não um vampiro chamado 'Edward', mas um homem que bebe sangue chamado 'vampiro'?". Com a resposta afirmativa da minha professora, resolvi criar minhas criaturas mágicas. Em seguida, eu e uma amiga combinamos de cada um escrever um livro. Ela parou no meio do caminho, eu continuei...

3. Quais são seus hobbies?
Amo assistir filmes e cozinhar. Gosto de saber de tudo: como os ingredientes funcionam, a origem da receita, como ela pode melhorar... O mesmo para cinema. Assisto mais o making of e as entrevistas do que o próprio filme. Sou apaixonado por entrevistas e sempre sonhei em ser entrevistado (estou muito feliz!). Em resumo, adoro saber os bastidores de cada criação e aprendo muito com os criadores de novas comidas, de novos filmes, novos livros...

4. Como você se vê como pessoa?
Sou muito racional e muito sensível. Muitas pessoas pensam que são opostos, mas acho que se complementam. Racionalizar o sentimento e sensibilizar o racional me faz muito bem, me ajuda a trabalhar com ambos os lados e (tentar) equilibrar. Tenho uma feição muito séria e um tom de voz meio grave e seco, o que faz com que à primeira vista as pessoas tenham uma impressão errada de mim (sou bem fofo e muito amigo, na verdade). Ansioso? Esquisito? Pavio curto? Prazer, eu mesmo! Mas garanto que eu sou o ansioso estranho impaciente mais gente boa que você já entrevistou!

5. Quais são as suas influências literárias?
Acredito que Vestido de Violene não existiria se eu não tivesse lido na minha infância Luna Clara e Apolo Onze, de Adriana Falcão. É um livro simples de ficção e fantasia revestido de literatura infantil, mas com mensagens universais, possuindo uma estrutura não cronológica que traz boas surpresas quando suas peças se encaixam. Vejo muito da minha obra nesse livro, ainda que involuntariamente. Um conto que me influenciou também foi A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa. Fiquei fascinado com seu significado e em como as imagens descritas por ele traziam fortes mensagens sobre o desconhecido. Desde que li, sabia que em Vestido de Violene deveria haver um rio que margeasse toda a história.

6. Em uma narrativa, qual pessoa você prefere: primeira ou terceira? 
Não tenho preferência, mas gosto quando as informações são sugeridas e reveladas aos poucos. Para mim, tão importante quanto o que se fala é o que se cala. Apesar de isso ser mais facilmente obtido por narrativas em primeira pessoa (já que a personagem naturalmente possui uma limitação quanto às informações conhecidas sobre a história), acredito que esse objetivo também pode ser alcançado por narrativas em terceira pessoa dependendo da maneira que o narrador descreve os acontecimentos. Em Vestido de Violene, pelo fato de a história estar em constante mudança de perspectiva, para mim foi natural o uso da terceira pessoa.

7. Quais livros marcaram sua vida?
Confesso que não fui um bom leitor por muitos anos. Além dos que eu citei como inspiração (Luna Clara e Apolo Onze e Primeiras Histórias, de onde saiu o conto A Terceira Margem do Rio), eu não poderia deixar de citar a saga Harry Potter. Eu decorava listas de feitiços e usava baqueta de berimbau (eu fazia capoeira) como varinha. É impressionante como esse livro virou quase um folclore internacional! Mas só para não me acharem muito infantil, me marcou muito também o livro O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Para mim, é uma terapia lê-lo, me traz um calorzinho no coração.

8. O que você faz nas horas vagas?
Eu tenho um certo problema com tempo ocioso. Eu sempre acabo me envolvendo em alguma coisa, algum curso, alguma pesquisa, algum projeto... Não fazer nada me faz mal. Mas quando eu tenho hora vaga da hora vaga, eu tenho algumas opções. Primeiro: eu estou sempre procurando um momento para fazer um bolo. Amo confeitar. Segundo: eu passo à tarde fofocando com minha avó, tomando café e comendo broa de milho com erva doce, como duas idosas. Terceiro: eu procuro algo nada produtivo que exija nenhum raciocínio: vídeo de receita, resenha de skin care, treta de youtuber e Diva Depressão.

9. Possui outras obras?
Só possuo esse livro publicado e penso em escrever uma continuação um dia. Além dele, tenho uma poesia chamada "Traquitana" publicada em uma edição de Antologia, um livro de poesias da Editora Chiado.

10. Os personagens que você escreve são inspirados em pessoas reais?
São mesclas de pessoas que eu conheço, não necessariamente um personagem represente uma pessoa. Frases, comportamentos, posturas... Tudo isso vem de convivência e de como eu observo pessoas próximas a mim. Talvez a que mais possua uma correlação direta seria Violene, que tem muito da minha mãe. De resto, são facetas de minha personalidade: traço em linhas gerais a personalidade do personagem, relaciono com suas vivências e com o que eu quero passar com a história e vejo quais atitudes mais condiriam com esses moldes. Faz sentido?

11. Suas histórias são inspiradas em algo real?
São inspiradas em observações do mundo real. São circunstâncias e situações reais: perda, indecisão, crescimento, despedida, amadurecimento... Por mais que a história se baseie em fatos que vivenciei, não são uma autobiografia. Toda história, por mais ficcional que seja, traz uma verdade. Um escritor frente a um papel em branco é um deus com poderes ilimitados, e mesmo escrevendo sobre fantasia, era primordial que eu me impusesse algumas regras: mensagens reais e circunstâncias verossímeis em um mundo onde a fantasia serviria como alegoria para refletir sobre a vida. 

12. Como você vê seu livro?
Eu vejo como uma oportunidade. Seja para eu passar para frente uma verdade que acredito, seja para outras pessoas somarem um novo olhar sobre a vida. Acredito que as pessoas começam a ler com uma expectativa e são surpreendidos com algo mais complexo. Gosto da ideia de leitura em camadas: uma história com mensagens cada vez mais profundas (ou mesmo diferentes) de acordo com o investimento do leitor. Queria algo fantasioso, mas que não fosse infantil e nem ultra sexualizado ou violento. Falo isso, pois vejo que histórias fantásticas para adultos muitas vezes, para enfatizar que não são infantis, apelam para esse lado. Não queria isso. Ainda que Vestido de Violene possa trazer imagens duras, é coadjuvante se comparado ao resto. Sendo assim, acho que vejo esse livro como uma isca para atrair leitores para meu mundo, deixando de lado por um tempo o próprio mundo.

ESPAÇO BÔNUS
Queria agradecer a todas as mensagens dos que leram meu livro Vestido de Violene! Sou um escritor de primeira viagem e o mercado editorial ainda é novo para mim, mas farei o possível para que essa história atinja o máximo de pessoas. Para isso, preciso que os leitores cobrem as livrarias e peçam a disponibilidade dos exemplares. Conto com vocês! Garanto que vai ser uma história que vai ficar na memória e no coração de quem se permitir ser levado com ela. Todos nós temos uma história para contar e isso é inerente ao ser humano: desde folclore até ensinamentos dos antepassados. Tudo é história. Vejo muitos escritores em potencial que não acreditam em suas histórias e estão deixando de compartilhar com o mundo um imaginário rico e único. Convido a todos escreverem e contarem suas histórias. Não precisa ser livro, nem filme, nem série... Pode ser uma postagem na internet, um RPG, uma conversa em volta da fogueira do acampamento. Eu escrevi Vestido de Violene não porque queria ser um escritor de sucesso, mas simplesmente porque tinha uma história para contar. Como diria Janvier ao ser perguntado o porquê de saber tanto sobre a vida mesmo sendo criança: "eu vivi várias vidas. Eu sou um contador de histórias".

Bom meus amores, o que acharam dessa entrevista? Eu espero de coração que vocês tenham gostado assim como eu gostei de entrevistar o autor. Podemos perceber a leveza em suas respostas!! Descobri muita coisa sobre o livro apenas pelas respostas dele! Lembrando que vocês podem acessar as redes sociais do autor na aba de autores parceiros aqui do blog e também não deixem de conversar com ele. Um super beijão, se cuidem e até a próxima entrevista.

Comentários

  1. Vestido de Violene nos convida a ver o mundo com olhos lúdicos, sensíveis mas também muito atentos à realidade. Chorei e ri, me emocionei a cada página. Surpreendeu a todos para quem indiquei - e ficou sempre nos top 3 de melhores livros. Vale muito a pena!

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  2. Henrique é incrível! Não só sua obra. Mas ele próprio é um ser único e criativo!

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